sexta-feira, 2 de junho de 2017

Amor não se pede.

Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com cofrinho aparecendo. Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelada de bungee jump. Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, qualquer espírito. Mas amor não se pede, imagine só.
Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso.
Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso.
Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não.
Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira. É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos. Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar
e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei.
Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta. Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar. Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia. Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta. Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa. É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro
que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida. É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer,
implorar.
É triste lembrar como eu ria com ele.
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa?
Ele sabe, ele sabe. — Tati Bernardi.



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Minha mãe


Minha mãe é a minha melhor amiga, mas me assumir bissexual pra ela, não foi nada fácil. Na verdade não me assumi, minha mãe descobriu. Ela percebeu através de uma troca de olhares entre eu e meu namorado da época. Ele trabalhava no shopping e eu levei ela até lá pra simular um encontro ao acaso e dizer: "olha, mãe! esse é meu amigo, ele é uma pessoa ótima, você precisa conhecer, etc". Mas mãe é mãe, né? Ela sacou no momento em que o meu olhar se cruzou com o dele. Tudo bem que o brilho nos olhos e o sorrisão no rosto facilitou um pouco, mas ainda assim, a percepção dela foi incrível. Depois dessa descoberta, ela, que sempre me deu todo o amor do mundo, sempre me apoiou em todas as minha decisões, parou de falar comigo. Antes de parar de falar comigo, foi cruel e me disse coisas pesadas, como: "eu preferia ter morrido antes de descobrir isso" e coisas do tipo. Doeu muito. Eu me sentia envergonhado, como se o castelo que tinha construído durante a vida, estivesse desmoronando. Eu, que sempre fui sinônimo de orgulho pra minha família, agora já não conseguia olhar nos olhos da minha mãe, porquê sentia que havia decepcionado-a da pior maneira possível. Porem, eu não estava mais disposto a voltar pro armário. Saí de casa, fui morar com amigos, fiquei doente, passei bastante dificuldade, chorava todos os dias no banheiro do trabalho, ou, às vezes, na frente do computador, quando as lágrimas não me esperavam correr pra me esconder. Chorava antes de dormir e às vezes acordava chorando. Foi a fase mais triste da minha vida. Eu tinha a minha liberdade, mas não tinha o apoio da pessoas mais importante da minha vida. Eis que o tempo foi passando. Minha mãe sofreu com a minha ausência dentro de casa, tirou um tempo pra refletir sobre tudo, passamos a nos encontrar, mas nunca tocávamos no assunto. Acho que ela passou a sentir a minha dor e começou a me entender, se ela conseguiu descobrir meu namoro através dos meus olhos, provavelmente também via a minha dor. Na véspera do meu aniversário de 2015, ela foi até na frente do meu apartamento pra me dar parabéns, já que eu nós não nos veríamos no dia seguinte. Entrei no carro dela, ela com os olhos cheios de lágrimas, me deu um abraço apertado e desabou em choro. Eu, que choro até assistindo aqueles programas sensacionalistas de domingo, também desabei. Chorava feito criança e me sentia acolhido dentro daquele abraço. Quando se acalmou, me disse a frase mais linda que eu já ouvi e que trouxe paz pro meu coração: "Filho, eu te amo e te aceito exatamente do jeito que você é, e se eu pudesse te fazer de novo, te faria igualzinho, sem mudar nada". Obvio que choramos ainda mais. Foi o melhor presente de aniversário que ela poderia ter me dado. Minha vida ficou mais leve e à partir dali eu me senti preparado pra encarar qualquer problema relacionado a minha sexualidade, afinal, minha mãe estava do meu lado.
PorEntreguei 

<3jipp o



domingo, 4 de dezembro de 2016

Oi. Sou seu ex

"Oi.
Sou seu ex.
Na verdade você é meu ex.
Ex é aquele que antecede.
Sou o seu ex, do ex, do ex, do ex. Se é que isso realmente existe.

Depois de mim você namorou três ou quatro vezes, acompanhei tudo secretamente pelas redes sociais.Começamos a namorar em 2012 e terminamos no mesmo ano.2012 foi um ano maluco, não é mesmo? O mundo iria acabar. E não acabou. Nosso namoro, esse sim, acabou. Eu cheguei a pensar que a minha vida também fosse acabar, mas veja só: 2015 chegou e eu ainda estou aqui. Profecias erradas.Namoramos poucos meses.Você me fez tão feliz.Nunca havia me apaixonado tanto.Eu dormia sorrindo e acordava com um sorriso ainda maior.Você era o meu primeiro e meu último pensamento do dia.O nosso primeiro beijo arrepiou a minha alma e você perdeu o fôlego, lembra?Você tão incrivelmente lindo.Você tão incrivelmente seguro.Você.Só você.Mas aí você me traiu.Me traiu com um colega de trabalho.Me traiu com um colega de trabalho qualquer.E me destruiu.E foi embora.Partiu sem se importar.Frio.Calculista."Homem foge sem prestar socorro."Manchete no jornal da vida.Da minha vida.Que já não tinha mais sentido.Eu eu fiquei em estado de choque.E comecei a fumar.E bebia pra não lembrar.E fumava pra tentar me acalmar.E bebia porque eu lembrava.E fumava porque não esquecia.E bebia porque não me acalmava.E fumava cada vez mais.E bebia pra tentar esquecer.E não esquecia.E não me acalmava.Então comecei a sair.Meus amigos me arrastaram pra balada.E eu te reencontrei por lá.E você estava tão feliz.E você estava tão lindo.E eu só queria te abraçar e dizer:- Tudo bem eu te perdoo, errar é humano, vem aqui, vamos tentar outra vez.Mas você abraçou outro cara.E beijou esse cara.NA-MINHA-FRENTE.E me destruiu novamente.E eu bebi e fumei ainda mais.Porque me traiu com o seu colega de trabalho se não tinha intenção de ficar com ele?Me traiu só por trair?Quem é esse cara que você está beijando?Eu tinha tantas perguntas pra te fazer.Eu tinha tanta dor dentro de mim.Eu estava tão frágil.E passei a ter raiva.E um dia você me ligou.Eu ouvi a sua voz.E a raiva passou.Mas você só perguntou pelo seu óculos.Que não estava comigo.E desligou.E começou a namorar com outro cara.Que não era o colega de trabalho, nem o cara da balada.E você estava tão vivo.E encheu o instagram de fotos.E legendou as fotos com palavras de amor.E terminou o namoro.E encheu o instagram com fotos na balada.E começou a namorar com uma outra pessoa.E o ciclo era sempre o mesmo.E eu fui murchando aos poucos.Fui morrendo lentamente.Tive que focar no trabalho.Pra não morrer por inteiro.E trabalhei muito.E fui promovido.Uma. Duas. Três vezes.E só trabalhava.E te acompanhava de longe.Acho que gosto de sentir dor.SADOMASOQUISMO.E dispensei tanta gente que queria ficar comigo.Tanta gente legal.Vesti um escudo.Achei que todas as pessoas eram igualmente maldosas.Maldoso como você foi.Comigo.E com o cara depois de mim.E com o outro cara, depois do cara depois de mim.E vi algumas pessoas querendo cuidar de mim.Teve um que chorou e disse que queria me fazer feliz, pediu permissão.E eu disse não.E de tanto dizer não.Acabei dizendo sim.E eu já não fumava mais.E eu bebi, mas dessa vez foi pra brindar.E eu me senti amado.De verdade.Pela primeira vez.E me senti feliz.E me peguei sorrindo sozinho.Sorriso bobo.E voltei a amar.E não era você.Verdade. Reciprocidade.E você foi acabando dentro de mim.Até acabar por inteiro.E eu passei a dar risada sobre tudo o que aconteceu.As pessoas me diziam que um dia eu iria rir disso tudo.E eu ri.E eu te reencontrei na balada.E não senti nada.Olhei pro meu namorado e vi um abismo entre você e ele.Eu só desejei que a tua maldade e que a maldade do mundo nunca atinja quem agora eu amo.E que ele nunca se corrompa por tão pouco.Como você se corrompeu.Que o mundo é sujo eu sei.Você me mostrou.Mas é possível sair ileso, basta ser bom. Basta ser do bem, meu bem.E você me viu feliz com outro alguém.E me mandou mensagem.Disse que eu estou bonito.Que o tempo me fez bem.E fez mesmo.E você pediu pra voltar.Disse que se arrependeu de tudo e que sente muito a minha falta.Disse que eu fui o único que realmente te amou de verdade.Há 1 ano atrás eu correria pros teus braços.E te dava todo o meu amor outra vez.Hoje eu te deixo esse e-mail.Que é a única coisa que eu tenho pra te oferecer.Fica bem e seja feliz.A gente só vive uma vez.Aproveita ao máximo.Aproveita com verdade.Uma vida de verdade.Um amor de verdade.Pra não ter uma vida vazia.Tchau

."Por:
Entreguei

sábado, 26 de novembro de 2016

Depois de cinco anos

Já se passaram cinco anos desde o nosso término, e só agora que estou escrevendo algo sobre você. Se você estivesse aqui se perguntaria o porquê, e eu responderia que foi porque voltei a assistir aquele seriado super antigo, Friends. Aquele que eu costumava deixar de assistir pra ficar com você. Você consegue lembrar do casal Ross e Rachel ? Nunca te disse, mas eu costumava imaginar que nós seríamos como eles. Todos aqueles términos, todas aquelas vezes em que eles ficaram separados um do outro, que se envolveram com outras pessoas, mas que no final um sempre voltava para os braços do outro. E não importava quanto tempo passasse, ou o quanto a vida levasse eles a trilhar um caminho diferente… Eles voltavam, ficavam juntos e o amor continuava o mesmo. Por um bom tempo pensei que seria assim conosco, mas me enganei. Porque você nunca chegou a me amar de verdade. E nunca se quer desejou algum futuro ao meu lado, jamais fez planos que me envolvessem, e eu sempre soube (mesmo sem querer aceitar e acreditar), que por esse motivo é que nós não iríamos continuar juntos. Nosso fim chegou, e não foi da forma que pensei que seria. Não foi um final amigável, nós dois saímos magoados, saímos com o coração partido e preenchido de rancor. E só depois de cinco anos, que estou conseguindo escrever algo sobre você. E só quero mesmo que você saiba que não importa onde você esteja, ou com quem esteja… Sempre que eu ver Ross e Rachel, lembrarei de você. E tentarei fazer deles a lembrança boa do que poderíamos ter sido, mas nunca tivemos a capacidade de chegar a ser.
— Resquícios de Outubro.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Mergulho

Encaro as suas águas cristalinas, que talvez não sejam tão cristalinas no fundo, pois não o enxergo. Respiro, conto até três. Até me impulsiono, mas não pulo. Recuo. O que me espera no fundo é um desconhecido. Pelos olhos e pela mente. Só meu coração sente. A adrenalina me invade, eu quero mergulhar. Quero conhecer cada pedacinho desse oceano. Cada grão de areia que forma sua base. E se possível, me tornar um desses grãos. Ou quem sabe uma das tantas vidas que habita em você. Corro em sua direção e mergulho. Sinto cores e vejo sensações. As melhores dessa vida. Toco a areia e toda a vida que há nesse mar e aos poucos retorno à superfície pra respirar. Sorrio. Quero ali morar. Mas as ondas firmes me jogam pra lá e pra cá, me expulsando do que poderia ser meu novo lar. Revivo, então, em minha mente todas as sensações, explosões. Hoje é um novo dia e eu retorno ao mesmo mar, ao mesmo lugar. Mergulho, revejo o novo mundo e por ele me reencanto. A ponto de não querer voltar. Ficar. Por um dia, por mês, talvez por uma vida. E a cada mergulho, maior é a vontade de permanecer lá. Até que em meio a tantos mergulhos e vontades, esse mar se torna meu único lar. O meu mar é você. E nele, quero sempre mergulhar. 

domingo, 20 de novembro de 2016

— Nessa Cross

Quando o meu olhar cruzou com o seu, naquele momento, eu sabia que me apaixonaria. Um olhar cheio de brilho, que transmitia uma energia sem tamanho. Você me encantou no primeiro olhar. Hoje, 60 anos depois, o brilho do seu olhar continua o mesmo e o meu encanto aumenta cada vez mais. Te amo para além do infinito! O meu amor não cabe em uma medida exata, é sempre mais. Me sinto tão bobo, um moleque, quando se trata de você, minha eterna namorada. 60 anos acordando ao seu lado, compartilhando cada momento, não tem preço. Seu rosto iluminado pela luz do sol, logo pela manhã, é a visão mais linda que eu já vi nessa vida. Me sinto o homem mais *privilegiado* desse mundo! Sei que sou cheio de manias, que às vezes esqueço a toalha em cima da cama, mas você sabe que sou meio desligado! Amo quando fica brava e tenta me dar bronca, mas não consegue e começa a rir, dizendo que essa será a última vez que recolhe a toalha. Seu jeito de lidar com as situações do dia a dia, sempre com calma, me motiva a ser um homem bom e a ver beleza nas pequenas coisas. Obrigada por tudo, meu amor! Toda noite antes de dormir eu peço para que eu possa viver um pouco mais e poder aproveitar cada momento ao seu lado. O tempo nunca parece ser suficiente para fazer e dizer tudo o que eu quero para você… Bom, sei que hoje não é nenhuma data especial, mas me deu vontade de escrever e mostrar o quanto te admiro. 
Ps: Bom dia, gatinha! Fui resolver uns assuntos, mas até o meio dia estou de volta. Ah, tem bolo de chocolate na mesa e já passei o café. Te amo! Beijos do seu “véio”.

O amor, o sorriso e o trem.

Achei o amor da minha vida 
lá estava ela
era uma estação de trem.
Sentada
ouvindo musica, 
seja Cícero
pensei. 
Ela me olhou
e eu sorri
ela sorriu
o trem chegou
ela se foi
meu amor embarcou em outro ramal
mas até que não me fez mal 
o amor está na pureza das coisas 
eu vi pureza naquela sorriso
então não nos faltou nada. 
Nem amor.
Rubens Miranda. 

sábado, 19 de novembro de 2016

“E se?”

E se? E se eu não tivesse te conhecido naquele dia? E se eu não tivesse te dito “Oi”? E se você não tivesse me respondido de volta com esse seu sorriso lindo? E se eu não tivesse me encantado pelo brilho dos seus olhos castanhos? E se eu não tivesse achado engraçado aquela sua piada idiota? E se eu não tivesse gostado do seu nome que é igualzinho ao nome do meu personagem de livro favorito. E se eu não tivesse naquele momento me apaixonado por você? E se não fosse apenas uma paixão? E se você não tivesse bagunçado o meu coração? E se eu não tivesse gostado dessa bagunça? E se eu não pensasse em você 24 horas por dia? São tantas possibilidades do que poderia ter acontecido, mas de uma tenho a certeza: Foi amor. E tê-lo ao meu lado, em minha vida foi a melhor delas e mesmo que não esteja mais aqui comigo nesse momento. Em meu coração você sempre vai estar e ao ouvir seu nome ou te vê, meu coração irá disparar, pois é você que eu amo de verdade e sempre vou amar. Você é o único dono do meu coração.
— Almalizo & Escritorragia em: “E se?”  

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

— Coleções de um menino.

Já eram seis da manhã e tudo parecia do mesmo jeito, a mesma vidinha chata, monótona e cheia de decepções. Mas o engraçado disso tudo era que eu tinha um motivo pra acordar nesse horário: a cafeteria, perto da faculdade, costumava abrir nesse horário, e tinha o melhor café da cidade. Claro, é óbvio que eu não iria lá apenas pra tomá-lo… Fazer o que se minha carne é fraca e ela tão bela. Afinal de contas, o primeiro tempo de aula só eram três horas depois. Mas valia a pena chegar nesse horário, porque dava pra ver em seus olhos que ela odiava acordar cedo. Então ela ficava de bico e com cara de rabugenta, querendo voltar pra cama. Você deve se questionar o porquê eu gostava disso, mas a resposta era simples: ela ficava linda fazendo bico. 
Uma garota estatura média, morena de cabelo longo e com os olhos negros que brilhavam mais que as estrelas. Me perguntava onde estariam as asas dela, pois, se não fosse um anjo, bom… Então não sei o que ela era. 
Seu nome era Anne — eu só sabia disso, pois estava escrito em seu avental — morria de vergonha e não tinha coragem de falar com ela, imagina então, coragem pra convidá-la pra sair, pois é, não tinha. 
Sentado na última mesa que ficava ao lado da janela, onde podia assistir o movimento dos carros, pessoas e até mesmo dos pássaros, enquanto espera ela me atender. Meu coração acelerava sempre quando ela vinha em minha direção anotar meu pedido e hoje não estava sendo diferente.
— Bom dia! Vai querer o mesmo de sempre? 
— Sim, por favor — o sorriso dela era tão simples, mas ao mesmo tempo acordava as borboletas no meu estômago.
Ao se passar alguns minutos, lá vinha ela novamente com a bandeja. Sempre pedia um cappuccino médio e cinco pães de queijo.
— Com licença, aqui está o seu pedido, mas alguma coisa? 
— É… N… Não. Muito obrigado. 
Quando ela seguia o seu caminho de volta para a cozinha ela se virou e me olhou nos olhos. Nunca imaginei que ela teria essa dúvida, que ela teria a curiosidade de saber isto, mas então ela me perguntou. 
— Desculpa a curiosidade, mas você sempre vem aqui no mesmo horário, todas as manhãs. Já é de casa, mas nunca soube teu nome. 
— Aaah… É… Me desculpa, meu nome é Caleb, Caleb Green— não precisava de um espelho, mas era algo notável que eu estava vermelho de tanta vergonha. 
— Muito prazer, meu nome é… 
— Anne!
— Anne… Prestor — ela me olhava de forma assustada. 
— É que está escrito no teu avental, me desculpe — envergonhado apenas olhava para minha refeição, mas quando a olhava novamente ela estava rindo e isso me deixava nas nuvens. 
Então alguém do outro lado gritava, chamando a garçonete para fazer o pedido. 
— Ah, sim. Tinha me esquecido desse detalhe. Prazer em conhecê-lo. Vou indo, que estão me chamando.
Aquele momento via meu coração na garganta, minhas mãos estavam suando, meu Deus… Ela era perfeita.

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